Benefícios de aprender inglês na infância: o que a criança ganha começando cedo

Ouvido, coragem e curiosidade: o que o inglês desde cedo dá à criança, e como lidar com escola cara, vergonha de falar, telas e a correria.

Por Max · · 12 min de leitura

Os benefícios de aprender inglês na infância começam no ouvido e na coragem: a criança escuta os sons da língua como coisa conhecida e arrisca falar sem medo de errar. Vale a pena porque esse começo cabe na rotina de qualquer casa e faz o inglês chegar como brincadeira de família, e não como matéria difícil.

Pense no almoço de domingo na casa da vó. Entre o arroz, o feijão e a farofa, alguém pede para a criança cantar, e ela solta a música do desenho num inglês inventado, o famoso embromation. O tio ri, a vó pergunta “pra que isso, se aqui ninguém fala inglês?”, e você fica na dúvida se aquilo é começo de alguma coisa ou só fofura.

É começo. A seguir, a importância do inglês para crianças aparece onde ela mora de verdade, e cada dúvida daquela mesa ganha resposta: a mensalidade salgada da escola bilíngue, o inglês da escola pública, vergonha de falar com o próprio filho, telas e o cansaço depois do trabalho.

Neste guia
  1. Benefícios de aprender inglês na infância: o ouvido chega primeiro
  2. Coragem para falar: criança não tem medo de pagar mico
  3. “Pra que inglês, se ele nem vai sair do Brasil?”
  4. Escola bilíngue que custa um rim: o benefício não mora na mensalidade
  5. Inglês na escola pública e o eterno verb to be
  6. Vergonha de falar inglês com o próprio filho
  7. Telas, vídeos e a criança que aprendeu inglês sozinha
  8. Depois do trabalho, sem energia: o inglês que cabe na correria
  9. Vó que não fala inglês e a criança que vira professora
  10. Perguntas dos pais

Benefícios de aprender inglês na infância: o ouvido chega primeiro

O português e o inglês não usam os mesmos sons. O “th” de “three” (três) e de “thank you” (obrigado) não existe na nossa língua, e por isso tanto adulto diz “tri” e “tenkiú”. A diferença entre “ship” (navio) e “sheep” (ovelha) também passa batida: para muito ouvido brasileiro, as duas palavras soam iguais.

A criança que convive com esses sons desde cedo trata cada um como coisa normal, do mesmo jeito que trata o “nh” de “ninho” e o “lh” de “palha”. Ela ainda não sabe que aquele som é “difícil”, então simplesmente imita. Esse é o primeiro benefício, e o mais silencioso: um ouvido acostumado, que acompanha a criança quando o inglês voltar na escola, nas músicas e na vida.

Sotaque de filme não é a meta. Ninguém precisa soar como nativo para conversar; o ganho é o som deixar de assustar. Para treinar, brinque de careta no espelho: língua entre os dentes para o “th” de “thank you”, boca esticada num sorriso para o “ee” de “sheep”. Criança adora fazer careta com autorização, e o som vem junto.

Coragem para falar: criança não tem medo de pagar mico

Muito adulto estudou inglês anos a fio e, na hora H, dá branco. A frase some no meio, a voz diminui, e a vontade é mudar de assunto. Esse medo de pagar mico costuma pesar mais do que qualquer regra de gramática.

A criança ainda não conhece esse medo. Ela inventa palavra, imita pela metade o som que ouviu e segue em frente, cara de pau no melhor sentido. Quem começa assim aprende cedo que falar errado faz parte de falar, e essa lição serve para qualquer língua e para a vida.

O embromation entra aqui. Quando a criança canta “sons de inglês” sem palavras de verdade, ela está pegando o ritmo e a melodia da língua, que chegam antes das palavras. É ensaio, e não erro. Rir junto e cantar junto vale mais do que corrigir.

“Pra que inglês, se ele nem vai sair do Brasil?”

Essa frase aparece em muito almoço de família e merece resposta calma. O inglês já mora no Brasil: no “sale” da vitrine do shopping, no “delivery” da comida, no “game over” do joguinho, na camiseta com frase que ninguém leu direito. A criança convive com essas palavras muito antes de saber ler.

Entre as vantagens de aprender inglês na infância, a mais imediata é entender o que está em volta, aqui e agora. A outra é de longo prazo: inglês abre portas, como se diz por aí, e cada criança vai escolher depois por quais quer passar. O que a família faz hoje é deixar aberta a primeira porta, a de casa, sem pressão e sem promessa.

Há ainda um ganho que pouca gente comenta: a criança descobre que a mesma coisa tem dois nomes. A banana é “banana” nas duas línguas, a água vira “water”, o cachorro vira “dog”. Perceber que existe mais de um jeito de dizer o mundo desperta curiosidade, e curiosidade é o motor de qualquer aprendizado.

Escola bilíngue que custa um rim: o benefício não mora na mensalidade

De São Paulo a Maceió, a conversa na porta da escola se repete: a escola bilíngue é o sonho, e a mensalidade custa um rim. Logo depois vem a culpa, como se o inglês na infância fosse reservado a quem pode pagar.

A etiqueta “bilíngue” cobre propostas muito diferentes, de algumas horas de inglês por semana a um meio período inteiro na língua. O benefício não vem do nome no portão, e sim da frequência e da qualidade do contato: alguém que conversa com a criança em inglês, de perto, em situações que importam para ela, como o lanche, a brincadeira e a hora de ir embora.

Lanche, brincadeira e hora de ir embora também existem em casa, no quintal e no caminho. Para quem está escolhendo escola, as perguntas que valem a visita estão no texto sobre criança bilíngue que demora a falar. Para quem decidiu que agora não dá, o resto deste texto mostra o que cabe em casa.

Inglês na escola pública e o eterno verb to be

Quem estudou em escola pública lembra do “verb to be” repetido ano após ano. O inglês chega mais tarde, com poucas aulas por semana e turmas cheias, e o professor faz o possível com o que tem. Muita família conclui que “inglês de escola não funciona” e desiste antes de começar.

O começo em casa muda o papel dessas aulas. A criança que já conhece “hello”, “please” e “bye” chega à sala para um reencontro, e não para um primeiro contato. O “verb to be” deixa de ser o começo de tudo e vira mais uma peça de algo que ela já reconhece. Na escola particular sem programa bilíngue, o raciocínio é o mesmo.

Vergonha de falar inglês com o próprio filho

Muitos pais têm vontade de falar inglês com a criança e desistem por vergonha. Acham bobo, acham “cringe”, têm medo de parecer pretensiosos ou de ouvir de algum parente o famoso “tá se achando”. Outros têm vergonha do sotaque abrasileirado e preferem nem tentar.

A criança não julga sotaque. Para ela, a voz que vale é a sua, com o “r” do interior ou o chiado carioca, e é com essa voz que ela quer brincar. Músicas, lições e outras pessoas completam o resto; o seu papel é fazer da língua uma parte do carinho, e não dar aula de pronúncia.

Comece por palavras soltas, e não por frases inteiras: “shoes!” na porta de casa, “bath time!” na hora do banho, “yummy!” quando a comida estiver boa. Palavra solta não trava ninguém, e cada uma que vira costume deixa a próxima mais leve.

Telas, vídeos e a criança que aprendeu inglês sozinha

Em toda família tem uma história assim: a criança pegou o celular, viu vídeo atrás de vídeo e “aprendeu inglês sozinha”. Ela solta frases inteiras de desenho, conta até dez e canta músicas do começo ao fim, para espanto dos avós. O ouvido e as palavras que ela ganhou são de verdade.

O que o vídeo não faz é esperar. Ele não para quando a criança responde, não pergunta de volta e não ri da piada dela. Conversa é troca: alguém fala, o outro responde, e é nessa troca que a palavra vira ferramenta para pedir, contar e brincar com os outros. Por isso as primeiras palavras importam tanto: são o primeiro jeito de a criança chegar até as pessoas.

Vale, então, trazer a palavra da tela para a sala. Se ela aprendeu “orange” no desenho, peça a laranja em inglês na hora da fruta; se sabe uma música, cante com ela e pare antes da última palavra, para ela completar. Tem criança que fala muito inglês de vídeo e pouco português; nesse caso, e em qualquer dúvida sobre a fala, converse com o pediatra.

A lição do Tatako foi feita para esperar. O Tatako é um aplicativo para criança aprender inglês, com método próprio baseado em pesquisas de psicologia cognitiva e infantil. A criança ouve cada palavra três vezes, com uma pausa para dizer em voz alta; depois toca, entre duas figuras, a que ouviu; por fim, a figura volta sem a palavra, e ela diz o nome primeiro. São cerca de cinco minutos por dia, sem nada para ler.

A voz da lição fala inglês, e as dicas, o menu e todo o acompanhamento ficam na língua da sua família. No fim, você marca cada palavra como Nova, Repetir mais, Entende ou Já fala, e a próxima lição traz primeiro as que ainda estão inseguras. Funciona na web, no iPhone e no iPad, em celulares e tablets Android e em qualquer computador.

Depois do trabalho, sem energia: o inglês que cabe na correria

A rotina não ajuda: trânsito, ônibus lotado, jornada longa e uma criança pedindo atenção justo quando a energia acabou. Ninguém chega em casa com pique para dar aula, e o inglês da infância nem pede aula. Pede repetição curta, encaixada nos momentos que já existem.

É se virar nos trinta, só que com palavras. De grão em grão a galinha enche o papo: uma palavra no sofá, outra no caminho, outra no lanche, e a semana termina com um punhado de palavras que a criança reconhece. A tabela começa pelo dia em que não sobrou quase nada.

  • nosenariz
  • busônibus
  • juicesuco
  • sunsol
Energia que sobrouA palavraComo brincar
Nenhuma: você chegou só o pó“Nose!” (nariz)Deitados no sofá, você diz uma parte do rosto e a criança aponta: “nose”, “eyes”, “mouth”. Ninguém precisa levantar.
Pouca: o caminho de volta“Bus!” (ônibus)No ponto ou no trânsito, quem vê o ônibus primeiro diz “bus!”. Os que passarem depois, vocês contam juntos em inglês.
Média: a hora do lanche“Juice?” (suco)Mostre o copo, pergunte “juice?” e espere o “yes!” antes de servir.
Sobrando: sábado de sol“Sun!” (sol)No quintal ou no parque, quem ouve “sun!” corre para o sol, e quem ouve “shade!” corre para a sombra.

Para montar uma rotina completa, com brincadeiras, músicas e o que observar num aplicativo, o guia de como ensinar inglês para crianças em casa vai passo a passo.

Vó que não fala inglês e a criança que vira professora

Muita criança passa boa parte do dia com a vó, com a babá ou na creche, quase sempre em português. Ninguém ali precisa saber inglês para ajudar. Basta uma pergunta curiosa, “como é que se diz ônibus em inglês?”, e a criança assume o papel de professora, com direito a correção e paciência fingida.

Quem ensina aprende duas vezes, diz o ditado. Para explicar a palavra, a criança precisa lembrar, dizer em voz alta e esperar o adulto repetir, e ainda ganha a experiência rara de saber uma coisa que o adulto não sabe. Para a vó, virar aluna do neto costuma ser a parte mais divertida da semana.

É de pequenino que se torce o pepino, diz outro ditado, e aqui ele ganha um sentido leve: ninguém está entortando nada. A família só abre espaço para mais uma língua enquanto a criança ainda brinca com todas as palavras que encontra.

Experimente hoje

  • Hoje à noite, veja em que linha da tabela de energia você está e escolha só aquela brincadeira.
  • Repita a mesma palavra nos dias seguintes, até a criança dizer antes de você.
  • Quando ela disser, comemore e passe para a palavra da linha seguinte.
  • No sábado, conte à criança uma palavra em inglês que você aprendeu na semana: ver o adulto aprendendo também ensina.

Perguntas dos pais

Começar inglês cedo atrapalha a alfabetização em português?

A alfabetização acontece em português, na escola, ligando letras aos sons da nossa língua. O inglês falado em casa trabalha em outro lugar, no ouvido e na conversa, e não disputa espaço com o caderno. Se a escola apontar alguma dificuldade na leitura, converse com a professora e conte o que a criança faz em inglês em casa.

Curso de inglês ou escola bilíngue: qual vale mais a pena?

A melhor escolha é a que cabe na logística da sua família por muito tempo. O curso costuma ter aula fixa no meio da tarde, o que exige alguém para levar e trazer; a escola bilíngue junta o inglês ao dia escolar, com o custo que isso tem. Em qualquer formato, o que a criança vive em casa entre uma aula e outra continua contando.

Meu filho fala palavras em inglês que eu não conheço. E agora?

Comemore e pergunte: “o que é isso?”. Muitas vezes a criança aponta, faz o gesto ou explica do jeito dela, e você aprende junto. Quando não der para descobrir na hora, anote a palavra como ela falou e descubram juntos depois: o interesse que você mostra vale mais do que saber a resposta.

Inglês na infância ajuda no futuro profissional?

O futuro profissional depende de muita coisa, e nenhum começo garante carreira. O que a infância oferece é intimidade com a língua: quem cresce brincando em inglês tende a não ver o idioma como um bicho de sete cabeças. Essa tranquilidade conta quando o inglês aparecer de novo, na escola, na faculdade ou no trabalho.

E se a criança perder o interesse?

Interesse vai e volta, e isso é normal. Mude o momento, troque a palavra por uma ligada ao que ela ama naquela semana, seja dinossauro, futebol ou o cachorro da vizinha, e faça uma pausa curta se for preciso. Alguns dias de folga não apagam o caminho feito; o que pesa é a criança associar o inglês a bronca.

No próximo almoço de domingo, quando a criança cantar em inglês inventado entre o feijão e a farofa, você já sabe o que está vendo: um ouvido treinando, uma criança sem medo de errar e uma língua entrando em casa pela porta da frente. Inglês desde as primeiras palavras é isso. E quando quiser que alguém espere a resposta dela com toda a paciência do mundo, abra uma lição do Tatako ao lado dela.

Cinco minutos de inglês hoje?

Sente com seu filho: o Tatako diz cada palavra, espera a criança e comemora quando ela fala. Entre com o Google e comece.

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